come obra.
Texticulini 01.10
21 06 2010meu amor, se você puder,
compra legumes pra sopa.
deixa a sacola na minha porta,
que eu faço tudo quando chegar.
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Cartas do fim do mundo
10 12 2009Este sábado (12/12/09), tem lançamento da coletânea “Cartas do fim do mundo”, na Livraria Martins Fontes, da Paulista.
São 12 escritores contemporâneos. E um tema: “diante da morte, cada autor escolhe um personagem e escreve uma última carta endereçada a esse alguém”, como resumiu Marne Lucio Guedes que integra a coletânea junto com Moacyr Scliar, Raimundo Carrerro, Menalton Braff, Xico Sá, Marcelino Freire, Marcio Souza, entre outros.
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Texticulini 05.09
2 12 2009Sempre há espaço entre. Saber disso é uma estratégia para evitar mortes precoces. Antes da hora não me atiro no abismo. E é em rodeios, num pé só, sentindo o frio do vácuo, que vou passar a maior parte do tempo. Pra esse tempo vou exclamar cansaço nas horas mais alegres. Vou querer o invisível, a dissolução completa no amortecimento. E ainda, vou querer ser um pra um – resgates de coisas que não foram. Vou acreditar que ele entende o meu olhar quando olha de volta com o rosto inclinado. Citarei intuição e ainda terei impulsos, antes de voltar para o cálculo. Sempre há espaço, entre.
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hey juge, por um engenheiro
2 12 2009Comentários : Deixar um comentário »
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do corpo casulo
5 11 2009
sessão de número 15. perninhas aos céus. em dois meses, tudo mudou.
por fora, as coisas continuam, como dizer, mais ou menos iguais. mas, bem, mudadas. na praia, posso ler sem camiseta e ainda prestar atenção. posso caminhar, arriscar alguns passos de corrida e ainda manter conversação amistosa com o namorado sem achar que ele está reparando em minha barriga maior que a das outras.
mas se a minha barriga continua praticamente a mesma (praticamente é de uma imprecisão constrangedora, perdão) o que mudou foi mesmo aquela coisa de como me relaciono com ela.
logo nas primeiras aulas de pilates, tive dores cretinas. que um, dois, três dias depois continuavam doendo. da dor, a vontade de abraçar pedaços que antes despertavam vergonha. simples assim, como ele descreveu a maturidade, recentemente: você vai ficando velho e começa a doer, então, está na hora de dar atenção aos problemas reais, palpáveis e resolvíveis.
ajuda rasgar-se dos preconceitos do piegas e dizer asneiras úteis: corpo, eu te amo e te quero bem. Não te quero como me mandam te querer, ideologicamente correto e photoshopado. te quero como você vier, no acolhimento que é físico – te dar colo. e
____________ reocupar o espaço do corpo. assumi-lo sem distorções diante do espelho e dos outros corpos. que como o seu, são cheios das especificidades. impedir que cada pentelho fora do lugar se transforme em um dilema. sem vergonha de ir e vir, ver e ser visto e talvez até, tocado. um corpo que te pertence, mas que você não o controla. rupturas com o poder da mente, soberana.
não consigo manter as perninhas no céu por muito tempo. ainda. metas pro corpo, carinhosas. em três anos, treinos de bicicleta, corrida e natação. cremes, complexos vitamínicos e aqueles hormônios (?) que a gente libera com os esportes (como é mesmo?) e que deixam a gente feliz. de volta a nossa casa-casca.
* Obra de Marcelo Pitel.
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caderno de “lugares-comuns”
28 10 2009nas leituras recentes, descobri que cadernos de “lugares-comuns” existem. antes de dizer o que são, me assombra reconhecer que existem. ou que exista coisa com esse nome. a princípio, quando só tinha lido o título do artigo, pensei se tratar de um inventário dos julgamentos do senso comum, daquilo que a vovó já dizia. depois, pensei que era coisa de urbanista: comum=público, caderno de “lugares-comuns” seria, portanto, um mapeamento das praças, parques e demais espaços humanizados. mas não, caderno de “lugares-comuns” era simplesmente o suporte das anotações de leituras dos humanistas da tipologia escolástica. explicando, os moços liam coisas e mais coisas, e num bloquinho (que devia ser de coro e com encadernação costurada) iam anotando as coisas mais importantes, fragmentos, achismos, relações. depois faço deste blog, blog de “lugares-comuns” e posto um fragmento aqui.
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Texticulini 04.09
26 10 2009descalça e com a mochila pesada, ela se desvencilhou das cobras no meio das águas para escapar e voltar à casa da infância dele. as águas eram fundas. as cobras diversas. sendo jogadas por uma mulher que passava sorrindo – um sorriso de nervoso – num quatro por quatro amarelo.
no meio do caminho, o passado, atolado num bueiro, dirigia um chevet branco, quadradão. ela se apoiou na lataria pra não cair por água abaixo, que o bueiro não tinha mais grade e a correnteza ia bem forte. entrou num teatro. também velhos tempos. necessidade de banho e roupas secas, antes de vê-lo. a casa antiga estava tão nua quanto ela quando saiu do banheiro só de toalha, atravessando o corredor estofado de vermelho entre as poltronas do salão principal.
cogitou sair assim, pensando que se molharia de novo. depois reconheceu que ele não acharia legal vê-la assim, sei lá, exposta. ele não admitia nenhuma exposição literal. as demais, eram questão de costume. chegando na casa, vestida e molhada, ela não o encontrou na mesa de quinze lugares. apenas cadeiras.
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no parapeito
13 10 2009
Quando somos muito fortes —, quem recua? muito alegres —, quem cai de ridículo? Quando somos muito maus, que fariam de nós? Enfeitai-vos, dançai, ride. — Não poderei jamais atirar o Amor pela janela (Rimbaud)
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